Um gato de pelúcia azul, de rabo comprido, orelhas pontudas e fita vermelha no pescoço com um sininho dourado.
O dono do Gato Azul era um menino chamado Pedrinho.
Todas as noites, Pedrinho levava o gato para a cama e ficava a puxar os seus bigodes, devagarinho até chegar o sono.
Uma noite porém, Pedrinho foi dormir zangado e atirou o bichano no chão, virando-lhe as costas.
Gato Azul começou a queixar-se: - Brrr, Miauuuu, quero dormir na cama! Miauuu! Não quero dormir neste chão duro! Miauuuu!
Mas Pedrinho não teve pena do bichano e fez que não ouviu.
Dali a pouco estava dormindo debaixo das cobertas quentinhas...
Enquanto isso, o pobre gato resmungava baixinho: - Que chão duro! Miauuu!
No dia seguinte, quando Pedrinho acordou, a zanga já havia passado e ele teve saudades do Gato Azul. Pulou da cama e procurou o bichano no chão. Mas viu, com espanto, que ele não estava mais lá. Quando Pedrinho estava quase chorando sem saber o que fazer, apareceu na janela um Bem-Te-Vi, Bem-Te-Vi.
- Bem-Te-Vi, Bem-Te-Vi, você viu meu gatinho por aí?
- Bem-Que-Vi, Bem-Que-Vi! O gatinho passar por ali!
E o Bem-Te-Vi apontou o caminho da praça.
Pedrinho assustado saiu da casa ainda com pijama no corpo, sem lavar o rosto, nem escovar os dentes, imagine vocês! E lá se pôs a caminho da pracinha, que ficava perto da praia.
- É, vai ser difícil encontrar o gatinho aqui na praça no meio de tanta gente. Ah! A borboleta amarela vem vindo, eu vou perguntar se ela viu o Gato Azul!
- Bom dia, bom dia, borboleta amarelinha! Bom dia, bom dia, borboleta amarelinha! Você viu o meu gatinho?
- Eu vi quando o seu gatinho tomava aquele caminho!
Pedrinho agradeceu a informação, desceu o murinho e pôs-se a procurar o gato na areia da praia. Mas o bichinho não estava ali. Muito triste, Pedrinho cobriu o rosto com as mãos e por isso não viu que um barquinho vinha vindo devagar.
O barco era de Martim Pescador, e sabem vocês quem estava lá dentro?! Gato Azul, contente da vida, pois havia pescado mais de vinte peixes. O bichano pois uma pata diante dos olhos e começou a espiar a praia. Deu com o vulto de Pedrinho.
- Miauuu! Eu conheço aquele pijama de listras cor de rosa! Miauuu! É Pedrinho!!!
- Hã?! Pedrinho?! Quem é Pedrinho?
- É o meu dono, Martim Pescador!
- Dono?! Ah, pois eu sou livre! Dono é o que eu não tenho!
- Martim Pescador, muito obrigado por tudo! Mas desisto das viagens que combinei com você! Leve-me para a praia, pois desejo viver com meu dono, o Pedrinho!
- Há! Mais vale um gosto que seis vinténs! Se você desiste de conhecer os sete mares do mundo, só por causa desse menino, isso é lá com você!
Vamos vamos, meu barquinho, vamos vamos atracar, lá vem perto do Pedrinho, que não pára de chorar.
Gato Azul amarrou os peixes num barbante, despediu-se de Martim Pescador e desembarcou bem perto de Pedrinho que ainda chorava.
- Miauuu! Pedrinho! Pedrinho!
- Meu gatinho, meu amiguinho querido!
- Miauuu!
- Você promete não fugir mais de mim, gatinho?
- Prometo! Mas você também promete que nunca mais me atira no chão?
- Prometo! Prometo sim! E agora vamos pra casa que a mamãe deve estar a nossa procura!
- Vamos, vamos!
Amigos somos os dois, tal qual os dedos da mão, o Gato Azul e Pedrinho, cuidando um só coração!
E lá se foram, Pedrinho e o Gato Azul de braços dados para casa. A mãe de Pedrinho fritou os peixinhos que o Gato Azul havia pescado e todos festejaram a volta do bichano, comendo a deliciosa peixada!
Amigos somos os dois, tal qual os dedos da mão, o Gato Azul e Pedrinho, cuidando um só coração!
Essa história minha mãe contava antes de dormir, como era gostoso deitar debaixo das cobertas e escutar minha mãe contar histórias. Em breve faremos um post especial com "histórias para dormir"... Enquanto isso, aproveite para compartilhar nos comentários ou no Facebook quais histórias sua mãe contava! =)

1 recordações:
Esta hitória minha filha pedia para seu pai contar várias vezes todas as noites para dormir. Hoje bordei um gato azul num avental para uma professora de creche e tive a ideia de procurá-la, pois tinha num disco de vinil e já não tenho mais. Adorei encontrar. Uma história bem contada e que fez parte da infância de minha filha. Agradeço muito quem conseguiu resgatá-la e compartilhar com a gente.
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